Tarifa Branca + Fio B 60%: bateria acelera o payback
Fio B chegou a 60% em 2026 e o payback do on-grid aumentou. Veja como Time-Shifting com baterias e Tarifa Branca aceleram o retorno e protegem a venda.
Tiago Martins18 min de leituraatualizado em 12 de junho de 2026
Resposta rápida
Em 2026, o Fio B da Lei 14.300/2022 chegou a 60% da TUSD sobre a energia injetada na rede, e o cronograma sobe para 75% em 2027 e 90% em 2028. O payback do on-grid puro aumentou, em média, em torno de 1 ano em relação ao cenário pré-2023. Ao mesmo tempo, a Tarifa Branca (que cobra mais caro no horário de ponta, tipicamente entre 17h-21h conforme distribuidora) cria oportunidade clara: Time-Shifting com baterias, que armazena a sobra solar do dia (quando geração excede consumo) e descarrega no horário de ponta da noite (quando a tarifa é mais alta), faz três coisas ao mesmo tempo: reduz a energia injetada na rede (e portanto o Fio B), substitui consumo de horário caro por energia da bateria, e protege o cliente do reajuste tarifário anual. Para o integrador, é a estratégia que recupera o payback e diferencia a proposta do concorrente que ainda vende só on-grid puro.
Introdução
O integrador que vendia on-grid puro nos últimos anos tinha uma planilha simples: consumo, geração, conta de luz atual, conta de luz futura, e um payback que cabia em 3 a 5 anos. Em 2026, a planilha não fecha mais com a mesma facilidade. O Fio B chegou a 60% da TUSD sobre a energia injetada na rede, conforme o cronograma de transição da Lei 14.300/2022, e o payback do on-grid puro subiu em média em torno de 1 ano. O concorrente que ainda apresenta proposta com a regra de compensação integral está com cálculo defasado, e o cliente bem-informado percebe.
Ao mesmo tempo, dois fatores criam uma nova janela comercial. Primeiro, a Tarifa Branca está mais disseminada e a ANEEL discute torná-la obrigatória para consumidores acima de 1 MWh/mês (consulta pública aberta até março de 2026), o que reorganiza completamente como o cliente paga pela energia ao longo do dia. Segundo, a Lei 15.269/2025 criou o marco regulatório do armazenamento de energia em baterias e habilitou incentivos fiscais (REIDI, redução do Imposto de Importação) que tendem a derrubar o preço da bateria nos próximos meses.
A combinação dos três vetores aponta uma direção única: o Time-Shifting com baterias deixa de ser estratégia avançada e vira a maneira padrão de fechar a venda em 2026 e nos próximos anos. Este artigo explica por que o payback do on-grid puro caiu, como a Tarifa Branca cria oportunidade real para Time-Shifting, e como o integrador apresenta essa proposta com números concretos para o cliente. Para quem vende solar e está vendo o concorrente fechar mais com bateria, este é o mapa.
O que mudou em 2026: Fio B a 60% e o payback do on-grid puro
A Lei 14.300/2022, conhecida como Marco Legal da Geração Distribuída, estabeleceu um cronograma de transição em que a compensação deixou de ser integralmente gratuita para passar a ter custo crescente sobre a energia injetada na rede. Esse custo é o Fio B, parcela da TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição) que remunera as distribuidoras pela operação, manutenção e expansão da rede.
O cronograma da transição
Para sistemas homologados a partir de 7 de janeiro de 2023, o Fio B aplicado segue a tabela:
| Ano | Fio B sobre TUSD na injeção |
|---|---|
| 2023 | 15% |
| 2024 | 30% |
| 2025 | 45% |
| 2026 | 60% |
| 2027 | 75% |
| 2028 | 90% |
| 2029 em diante | A ser definido pela ANEEL |
Sistemas homologados até 6 de janeiro de 2023 têm direito adquirido: ficam isentos do Fio B até 31 de dezembro de 2045, com a regra antiga de compensação integral. O cronograma da transição vale apenas para quem entrou depois.
A ANEEL abriu a Tomada de Subsídios 23/2025 (com contribuições até março de 2026 e conclusão prevista para 2027) justamente para definir o que acontece a partir de 2029. O cenário regulatório segue em movimento, mas o teto de 90% está cravado na lei.
Como o Fio B impacta a conta na prática
O Fio B incide apenas sobre a energia injetada na rede, não sobre o autoconsumo simultâneo (energia gerada e consumida no mesmo momento). Isso é fundamental para entender por que a estratégia de bateria muda o cálculo.
Estrutura do impacto:
- TUSD representa em torno de 28% a 40% da tarifa total, dependendo da distribuidora.
- Fio B a 60% sobre 40% da tarifa = impacto em torno de 24% sobre cada kWh injetado.
- O reajuste tarifário anual (~7% ao ano em média) compensa parcialmente esse impacto ao longo do tempo.
- Sistemas com maior autoconsumo simultâneo (consumo casado com a geração) sofrem menos, porque menos energia vai para a rede.
Para um sistema residencial típico, com 30% de autoconsumo simultâneo (consumo casado com a geração) e 70% injetado, o Fio B a 60% adiciona em torno de 1 ano ao payback em relação ao cenário pré-2023. O ROI em 25 anos cai de aproximadamente 500% para algo em torno de 400% em cidades com tarifa alta. A energia solar continua viável e excepcional como investimento, mas a margem de venda apertou.
O efeito comercial
Para o integrador que vende on-grid puro em 2026, o efeito prático é:
- A planilha de venda do colega que entrou no mercado em 2020 está defasada. Apresentar payback com compensação integral é dar número errado ao cliente.
- O cliente bem-informado (especialmente comercial e industrial) já sabe que o Fio B existe. Vendedor que omite ou subestima perde credibilidade.
- A diferença de payback entre on-grid puro e híbrido (com bateria) ficou menor, porque o on-grid perdeu vantagem com o Fio B e a bateria ganhou vantagem com a Lei 15.269 e a queda de preço.
A consequência lógica é a migração da proposta padrão para o sistema híbrido com Time-Shifting, que não é só "on-grid com bateria por backup", e sim uma estratégia econômica para extrair valor maior da mesma geração solar.
Tarifa Branca: a oportunidade comercial que muitos não veem
Em paralelo ao Fio B, a Tarifa Branca está em movimento de expansão. A modalidade existe desde 2018 para consumidores do Grupo B (baixa tensão), mas só agora começa a sair do nicho.
Como funciona a Tarifa Branca
A Tarifa Branca substitui o preço único da Tarifa Convencional por três valores diferentes ao longo do dia em dias úteis:
- Horário Fora de Ponta: tarifa mais baixa, vigente na maior parte do dia (manhã, tarde até as 17h aproximadamente, madrugada) e em todos os fins de semana e feriados.
- Horário Intermediário: tarifa de valor médio, vigente em uma hora antes e uma hora depois do horário de ponta.
- Horário de Ponta: tarifa mais alta, vigente em 3 horas dos dias úteis (faixa típica entre 17h e 21h, varia conforme distribuidora).
Os horários exatos variam por distribuidora. Exemplos:
| Distribuidora | Horário de Ponta |
|---|---|
| Cemig (MG) | 17h–20h |
| Enel SP | 17h30–20h30 |
| CPFL | Conforme área de concessão |
| Neoenergia (DF) | 18h–21h |
| Energisa | 16h30–17h30 e 20h30–21h30, ou similar |
A diferença de preço entre o Fora de Ponta e o Ponta pode chegar a uma proporção significativa, com o horário de ponta podendo ser várias vezes mais caro que o fora de ponta.
A consulta pública da ANEEL e a tendência regulatória
A ANEEL abriu em 2025 uma consulta pública sobre a implementação automática da Tarifa Branca para consumidores acima de 1 MWh/mês (faixa relevante de residências de alto consumo e pequenos comércios), com prazo de contribuição até março de 2026. Mesmo que a decisão final demore, o movimento regulatório é claro: a tarifa horária é tratada como ferramenta de eficiência e modernização do setor, e a tendência é de expansão.
Combinado com a abertura gradual do Mercado Livre até o final de 2028 (Lei 15.269/2025), o cenário para o integrador é: mais clientes vão pagar pela energia em valores que variam por horário, e isso muda a economia de qualquer projeto solar.
Por que Tarifa Branca, sozinha, não é solução completa
O cliente médio na Tarifa Branca enfrenta um descasamento: o sol gera durante o dia (horário Fora de Ponta, tarifa baixa) e o consumo residencial concentra-se à noite (horário de Ponta e Intermediário, tarifa alta). Sem bateria, o sistema gera no horário barato e o cliente compra da rede no horário caro. Os créditos da compensação atenuam, mas o Fio B agora come parte deles.
É exatamente nesse descasamento que entra o Time-Shifting.
Time-Shifting com bateria: a estratégia que acelera o payback
Time-Shifting é a estratégia de armazenar energia em um horário e usar em outro. No contexto residencial e comercial em 2026, significa: armazenar a sobra solar do dia (quando a geração excede o consumo simultâneo) e descarregar a bateria no horário de ponta da noite (quando a tarifa é alta).
O mecanismo financeiro do Time-Shifting
A bateria opera como um "tradutor de horário" da energia solar. Sem ela:
- A energia gerada às 13h (Fora de Ponta) é injetada na rede e gera crédito.
- O crédito é usado para compensar a conta, mas com Fio B a 60% sobre a TUSD do horário.
- O consumo das 19h (Ponta) é tirado da rede ao preço cheio da Ponta, parcialmente abatido pelo crédito.
Com bateria configurada para Time-Shifting:
- A energia gerada às 13h vai parcialmente para a bateria, em vez de para a rede.
- A energia da bateria é usada às 19h, no horário caro, substituindo o consumo da rede.
- Não há injeção naquela parcela, então não há Fio B sobre ela.
- Não há compra de energia no horário caro, então economiza-se a diferença entre Ponta e Fora de Ponta.
O ganho é triplo: evita Fio B sobre a parcela armazenada, evita pagar a tarifa de Ponta sobre essa mesma parcela, e o cliente fica menos exposto ao reajuste tarifário anual sobre a fração que passou a ser autoconsumo.
O efeito no payback
Quando se aumenta o autoconsumo de uma residência típica de 30% (sem bateria) para 60-70% (com bateria dimensionada para Time-Shifting), o efeito do Fio B a 60% praticamente desaparece sobre a parcela armazenada. Em paralelo, o cliente captura o diferencial tarifário entre Ponta e Fora de Ponta sobre essa mesma energia.
A conta para o integrador: o investimento adicional na bateria (que com a Lei 15.269 e os incentivos fiscais ativos tende a cair de preço) é compensado pelo ganho combinado de menos Fio B + diferencial tarifário + proteção contra reajustes. O payback do sistema híbrido em 2026 está se aproximando do payback do on-grid puro, e em alguns cenários (cliente na Tarifa Branca, consumo noturno relevante) já fica menor.
Como apresentar para o cliente
A proposta vencedora em 2026 não é "bateria como backup, custa mais". É "bateria como ferramenta de retorno financeiro". Pontos a destacar na conversa:
- O Fio B é real e está crescendo (60% em 2026, 75% em 2027, 90% em 2028). Bateria reduz a exposição.
- A Tarifa Branca premia consumo no horário barato. Bateria desloca consumo de ponta para fora-ponta, eletronicamente.
- A energia armazenada não passa pela rede. Não tem Fio B, não tem TUSD na injeção, não tem reajuste tarifário sobre essa parcela.
- A Lei 15.269/2025 deu segurança jurídica e incentivos fiscais ao armazenamento. O caminho regulatório está claro.
- A bateria habilita também aplicações que o on-grid puro não cobre: backup em apagão, autoconsumo otimizado, eventualmente compra de energia em Mercado Livre (Lei 15.269 abre o ACL para todos até 2028).
Exemplo de raciocínio: residência de classe média alta
Para sair da teoria, um exemplo ilustrativo (números aproximados, dependem da distribuidora e do perfil real de cada cliente).
Cenário
- Residência em área urbana, consumo de 600 kWh/mês, com perfil de consumo concentrado entre 18h e 22h (família que volta do trabalho à noite).
- Sistema solar de 5 kWp, geração aproximada de 600 a 650 kWh/mês.
- Distribuidora com horário de ponta entre 17h30 e 20h30.
Sem bateria (on-grid puro em 2026)
- Autoconsumo simultâneo aproximado: 30% (180 kWh/mês casados com a geração).
- Energia injetada: 420 kWh/mês.
- Fio B a 60% incide sobre os 420 kWh injetados, com impacto em torno de 24% sobre essa parcela.
- Cliente continua pagando o horário de ponta na rede, sem solução para o pico noturno.
- Payback estimado: em torno de 5 a 6 anos, dependendo da tarifa local.
Com bateria de 10 kWh para Time-Shifting
- Autoconsumo simultâneo + bateria: aproximadamente 65% (390 kWh/mês usados localmente, sendo 180 simultâneos e 210 pela bateria).
- Energia injetada: 210 kWh/mês.
- Fio B incide sobre só 210 kWh, metade do cenário sem bateria.
- A bateria fornece energia no horário de ponta (18h-21h), substituindo consumo da rede no preço mais alto.
- Adicional do investimento: o custo da bateria, que com queda esperada pela Lei 15.269 fica em faixa cada vez mais competitiva.
- Payback estimado do conjunto: em torno de 6 a 7 anos no cenário 2026, com diferença marginal em relação ao on-grid puro.
A conta aqui é ilustrativa e o dimensionamento real exige o levantamento da curva de consumo do cliente, mas o raciocínio é o que importa: a bateria não infla o payback, ela mantém o payback próximo do on-grid puro mas adiciona backup, autonomia e proteção contra os reajustes futuros do Fio B (que sobe para 90% em 2028).
Erros comuns em propostas de Time-Shifting com bateria
- Apresentar a bateria só como backup. O cliente médio em 2026 não tem dor forte de queda de energia em capital, mas tem dor de conta de luz. Vender a bateria como ferramenta de retorno financeiro (Time-Shifting + redução de Fio B) é mais vendável que vendê-la como nobreak grande.
- Usar planilha de payback pré-2023. Apresentar números de compensação integral é mostrar cálculo defasado. O cliente bem-informado descobre e perde a confiança.
- Ignorar a Tarifa Branca. Cliente em Tarifa Branca tem ganho muito maior com Time-Shifting. Cliente em Convencional tem ganho menor, mas ainda existe (pela redução de Fio B). Saber em qual modalidade o cliente está, ou se ele pode migrar, é parte da venda.
- Dimensionar a bateria igual a um sistema off-grid. Off-grid precisa cobrir 100% do consumo por dias. Time-Shifting precisa cobrir só a janela de Ponta (3 a 4 horas por dia úteis). O banco fica menor e o projeto fecha melhor.
- Não levantar a curva de consumo por horário. A maior parte da venda de Time-Shifting depende de conhecer o perfil real do cliente. Memória de massa (no Grupo A) ou análise da fatura com horários (Tarifa Branca) é o ponto de partida.
- Esperar a regulação total da Lei 15.269 para começar a vender. A lei já dá segurança jurídica suficiente. Esperar 2027 é perder a janela.
Como o Soffcal apoia o integrador no novo cenário
O Soffcal é um software de dimensionamento solar focado em sistemas com baterias, além de on-grid em três modos. Em 2026, com o Fio B a 60% e a Tarifa Branca em expansão, a plataforma entrega ao integrador o que ele precisa para fechar mais venda híbrida:
- Dimensionamento técnico defensável do banco LFP para Time-Shifting, com DoD e eficiência do datasheet, autonomia conforme a janela de Ponta da distribuidora local.
- Cálculo padronizado que sustenta a proposta diante de um cliente cada vez mais sofisticado, que sabe que o Fio B existe e quer ver o número certo.
- Proposta comercial pronta para entregar, com o dimensionamento e as premissas explícitas, profissionalizando a apresentação.
A análise da curva de consumo do cliente, a configuração comercial específica da bateria (estratégia de carga e descarga conforme a Tarifa Branca local), e a homologação na concessionária continuam sendo decisão e responsabilidade do profissional. O Soffcal entrega a base técnica que sustenta tudo isso, e libera o profissional para focar na conversa estratégica com o cliente.
Perguntas frequentes
Qual o percentual do Fio B em 2026?
Em 2026, o Fio B aplicado sobre a energia injetada na rede por sistemas de geração distribuída homologados a partir de 7 de janeiro de 2023 é de 60% da TUSD (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição). O cronograma da Lei 14.300/2022 prevê 75% em 2027 e 90% em 2028. A partir de 2029, a ANEEL define a metodologia, em processo já em consulta pública.
O Fio B reduz muito o payback da energia solar?
Sim, mas menos do que parece. O Fio B a 60% incide sobre a TUSD, que representa em torno de 28% a 40% da tarifa total, e apenas sobre a energia injetada na rede (não sobre o autoconsumo simultâneo). O impacto líquido sobre cada kWh injetado é em torno de 24%, e o reajuste tarifário anual compensa parcialmente ao longo do tempo. Na prática, o Fio B a 60% adiciona em média 1 ano ao payback do sistema solar em relação ao cenário pré-2023, mas o ROI em 25 anos continua excepcional.
O que é Tarifa Branca?
Tarifa Branca é uma modalidade tarifária opcional para consumidores do Grupo B (baixa tensão) que substitui o preço único da Tarifa Convencional por três valores diferentes ao longo do dia em dias úteis: Horário de Ponta (tarifa mais alta, 3 horas por dia, tipicamente entre 17h e 21h conforme distribuidora), Horário Intermediário (tarifa média, uma hora antes e uma depois da Ponta) e Horário Fora de Ponta (tarifa mais baixa, resto do dia, fins de semana e feriados). Quem consome mais no horário Fora de Ponta paga menos; quem consome mais na Ponta paga mais.
O que é Time-Shifting em sistema solar com bateria?
Time-Shifting é a estratégia de armazenar energia em um horário e usar em outro. Em sistema solar com bateria, significa armazenar a sobra solar do dia (quando a geração excede o consumo simultâneo) e descarregar a bateria no horário de ponta da noite (quando a tarifa é mais alta na Tarifa Branca). É a estratégia que mais aproveita a combinação Fio B + Tarifa Branca em 2026, porque evita Fio B sobre a parcela armazenada e captura o diferencial tarifário entre Ponta e Fora de Ponta.
Bateria reduz o Fio B?
Sim, indiretamente. O Fio B incide apenas sobre a energia injetada na rede. Bateria com Time-Shifting armazena a sobra solar do dia em vez de injetar, e usa a energia armazenada no horário de ponta da noite. Como a parcela armazenada não passa pela rede, não há Fio B sobre ela. Aumentar o autoconsumo de 30% (sem bateria) para 60-70% (com bateria) reduz substancialmente a parcela injetada, e portanto a exposição ao Fio B.
O payback de sistema híbrido com bateria é maior que o do on-grid puro?
Em 2026, a diferença caiu significativamente. O on-grid puro perdeu vantagem pelo Fio B a 60%, e a bateria ganhou competitividade com a queda de preço e os incentivos fiscais da Lei 15.269/2025. O payback do sistema híbrido com Time-Shifting está próximo do payback do on-grid puro, e em cenários favoráveis (cliente na Tarifa Branca, consumo noturno significativo) pode até ficar menor. Além disso, o híbrido protege contra os reajustes futuros do Fio B (que vai a 90% em 2028) e adiciona backup em apagão.
A Tarifa Branca vai ser obrigatória?
A ANEEL abriu consulta pública sobre a implementação automática da Tarifa Branca para consumidores acima de 1 MWh/mês, com prazo de contribuição até março de 2026. Mesmo que a decisão final demore, o movimento regulatório é claro de expansão. Para o integrador, a indicação prática é tratar a Tarifa Branca como tendência, não como exceção, especialmente em propostas para clientes de alto consumo.
Sistemas instalados antes de 2023 pagam Fio B?
Não. Sistemas homologados até 6 de janeiro de 2023 têm direito adquirido pela Lei 14.300/2022 e ficam isentos do Fio B até 31 de dezembro de 2045, com a regra antiga de compensação integral. O cronograma da transição (15% em 2023, 30% em 2024, e assim por diante até 90% em 2028) vale apenas para quem entrou depois.
Conclusão
O cenário de venda de energia solar em 2026 mudou. O Fio B chegou a 60% e segue subindo até 90% em 2028. A Tarifa Branca está em movimento de expansão e pode virar regra para faixas relevantes de clientes nos próximos meses. A Lei 15.269/2025 deu segurança jurídica e incentivos fiscais ao armazenamento. A consequência prática é que o on-grid puro não é mais a única proposta padrão, e quem segue vendendo só com a planilha de payback pré-2023 perde para o concorrente que entende o novo cenário.
A estratégia que recupera o payback e diferencia a venda em 2026 é o Time-Shifting com baterias: armazenar a sobra solar do dia e descarregar no horário de ponta da noite, eliminando a injeção dessa parcela (e portanto o Fio B sobre ela) e capturando o diferencial tarifário da Tarifa Branca. O ganho é triplo (menos Fio B, menos consumo de energia cara, proteção contra reajuste), e a bateria deixa de ser custo adicional para virar ferramenta de retorno financeiro.
Para dimensionar o sistema híbrido com Time-Shifting com base técnica defensável (banco LFP pela janela de Ponta da distribuidora, potência do inversor, autonomia adequada) e gerar proposta comercial que sustenta o preço, o Soffcal entrega como software de dimensionamento solar focado em sistemas com baterias. A análise da curva de consumo do cliente, a escolha da estratégia comercial e a homologação continuam com o profissional. Este artigo é o mapa do novo cenário e da venda que continua fechando em 2026.
Sobre o autor

Tiago Martins
CEO e Fundador do Soffcal
Tiago Martins é Engenheiro Mecânico, com MBA em Gestão Exponencial pelo IBMEC/XP, e atua no mercado de energia solar desde 2018. Durante 6 anos, foi sócio de uma empresa especializada em projetos e instalação de sistemas fotovoltaicos, acumulando experiência prática em mais de 1.200 usinas instaladas. Após vender sua participação na empresa, decidiu focar em uma das principais dores do mercado solar: a dificuldade de dimensionar sistemas com baterias, como sistemas híbridos, off-grid e BESS. Em 2025, fundou o Soffcal, um SaaS desenvolvido para ajudar profissionais do setor a calcular sistemas fotovoltaicos on-grid e sistemas com baterias de forma mais rápida, técnica e segura.
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